domingo, 8 de maio de 2011

O rei nas horas

Acorda nos perigos,
no deserto dos afagos;
afoga em mil braços
no gemido dos desejos.

A vida é um risco,
entre o sangue
e o silêncio.
O sal de um beijo.

Cor de prata
na paisagem.
Cor de prata
no caminho.

Chora no colo
das ondas
do suor da
criatura que abraça.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Poema esquecido

Um velho poema erguendo suas forças apoia-se trêmulo no centro da folha. Olha para um lado; para outro, apanha um pouco de ar matinal, e sem que ninguém perceba, volta para o dicionário deixando a folha novamente em branco.

Inteiramente toda

Uma boca olhando olhos negros beijando mãos caminham por campos de nuvens dentes afagam cabelos choram pés escrevem por céus de lajota sorrisos espalham lágrimas tortas sapatos desejam caminhos mais curtos Totalmente inteira por trás de quem chora caiu na rua tropeçando na estrela

Vidro e sangue

Infames dormem na sujeira que abrigam na alma. Cortam a paisagem com lâmina feroz. Bebem o impossível do sangue amarrados em farpas de arame. As vozes que zumbem são suas mortes galopantes. Seus amores escorrem pelas frestas e amarras.

poema pintado a mão

A pétala no seio pousou como pássaro branco. E ela, toda despida, não hesitou em sorrir.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Colo de pedra

Ah,as ondas molham as palavras,
perseguem meus calcanhares
enquanto corro.
Vou catando meus rostos
no chão entre os gritos
das sombras.
Ah,as ondas atravessam-me,
toda carne chora
enquanto luto com as pedras.
A areia me engole e cospe
de volta,
faço coisas estranhas.
Ah,vou cortar meus braços
e pernas,
e também as asas.
Vou acordar novamente
para saber
quem sou.

Chuva

Música que me leva
tão distante,
que me faz sonhar...
Voa comigo por lugares
estranhos
sem descrição...
Música que me faz
girar as horas
por entre os dedos...
Será mesmo o
som do
velho piano?
Música é
Deus brincando
com gotas de água.