terça-feira, 27 de outubro de 2009

Entre alguma coisa qualquer

Eu não sou meu coração
nem minha vida inteira.
Eu sou mesmo é uma
pedra exposta ao sol.
Sou aquele céu
com bordas vermelhas,
avião no alto,beijo
de adeus.

Eu sou vários gritos,
l´nguas diferentes.
Sou como se fôsse o
que ninguém pensou.
Sou como uma febre
violenta e forte.
Sou a tese rouca
do velho escritor.

Eu não sou paisagem
nem sorriso lindo.
Sou café bem quente,
dor,sola de pé.
Sou uma palavra..ou tão
simplesmente,
sou o que talvez seja o que é!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Aline Esashika

Dobrei em três partes cada espelho
e fui enrolando na sacola com o que
eu tinha...
Eu era minha...
E fui molhando meus cabelos no sol
fui amaciando as pedras que gemiam...

A água me cortava em três partes
e fui me dissolvendo nas gotas que
eu tinha...
Lágrimas...
E fui mordendo as folhas na mata
e cuspindo os espinhos que gemiam...

Juntei minhas partes todas
(afinal,eu era minha)
e brincava com os pássaros na água...
Voavam peixes entre as estrelas...
E fui mostrando a cada um que passava
que eu era dona daquele dia!!!!!!!!!!!!!!!!

Convertendo pedras

Cada olhar uma sentença
prá virar lobo não precisa muito...
Eu como pouco e falo bastante
e não quero ver qualquer filme...

Se eu chorar como um cachorro
enquanto estiver ouvindo música,
gargalhada de serpente se ouvirá
no escuro...

Coelho come caco de vidro
bolhas de sabão em pó,
Coca-cola e plástico verde
nada mais faz sentido...

Não entendeu nada?????
Problema é seu...
resolvo os meus sozinho...
Tô cansado de decifrar enigmas....

sábado, 18 de julho de 2009

Receita para um poeta

Risca numa folha
sem vaidade
palavras à toa
sem rumo certo
sem medida
para contemplação

Risca numa folha
sem querer ser aclamado
sem consultar
teus mestres
sem lembrar
tudo que aprendeu

Risca numa folha
como quem arrisca
um passo em falso
numa corda bamba
como quem entra
na dança sem saber dançar

Risca numa folha
como quem nada quer
sem armar uma cilada
sem sugerir nada
sem querer cantar
risca sem nada esperar

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Espetáculo


HO! horríveis espectadores
venham cínicos gargalhar
das dores de uma mulher
jogada na tristeza.
Venham ver definhar a beleza
de uma vencida no mundo.
Aplausos para louca
que se esvai em lágrimas.

Curso das águas

Quando o menino perceber suas asas;
não temerá o vôo arriscado,
não derramará uma lágrima
nem retornará ao ninho.

Quando o menino deixar de ser menino;
no solitário brilho da estrela,
no dobrar de um sino distante
sentirá uma febre endoidecido.

Quando o jovem selvagem rebentar
em músculos,pêlos e poesia
gozará de amores,pisará no fogo,
e no colo de uma mulher adormecerá.

Já no pôr-do-sol da vida,
no momento exato do sonho,
cantará ao pé de uma montanha
sua suave canção ao vento.

Meus algarismos

O flautista transforma o ar
em música.
Folhas secas brincam
no vento.
Eu,inteiro,completamente
sonho...

A prata nas folhas,nos frutos,
no caminho.
Prata brilhante do orvalho
nas macias espumas do mar.
Assim vale a pena quebrar
o silêncio...

Tuas mãos mergulhando
nas pequenas ondas.
Os espinhos se partem.
Permaneço inalterável
neste estado flutuante.
Alheio...

Atiro um grito de felicidade
e alguém me escuta.
Gotas cristalinas,
linhas coloridas,
ligam-se todas as formas;
somam meus algarismos.